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I N S P I R A T I O N S E R I E S
BEHIND THE SCENES - HAND TO HAND
Fotos por @fellipeditadi e vídeo por @nak__gabriel
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Vitor Diorgenes e Matheus Gonzaga estão a frente da Hand to Hand - projeto de pesquisa, curadoria e comercialização de roupas vintage. Com quase uma década de experiência, os dois construíram trajetórias diferentes dentro desse universo, unidas pelo interesse em entender a origem, a construção e a permanência das roupas.
Falamos com eles sobre suas trajetórias e sobre o papel do vintage na moda contemporânea.
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Birden - Para começar, vocês podem se apresentar e contar como surgiu o interesse de vocês pelo universo do vintage?
Vitor - Meu nome é Vitor Diorgenes, tenho 29 anos e trabalho com vintage há 10 anos.
Meu interesse por vintage nasceu do meu interesse por streetwear e música. Eu comecei a perceber como as pessoas se comunicavam através da maneira que se vestiam e como isso também influenciava a música e a cultura ao redor. Comecei a pesquisar marcas, estilos e referências e, nessa época, descobri um brechó que mudou minha cabeça. Encontrei coisas que nunca imaginei que teria acesso e, a partir dali, comecei a conhecer outras lojas e o universo do vintage.
O que mais me pegou foi essa sensação de encontrar uma peça que eu nem imaginava que existia. Acho que foi daí que nasceu essa paixão pelo garimpo e pela roupa.
Matheus - Meu nome é Matheus Gonzaga, tenho 26 anos e trabalho com vintage há cerca de nove anos.
Meu interesse começou por causa do skate. Eu garimpava roupas e tênis porque não tinha muito acesso às coisas que queria usar e, na época, muitas marcas de skate e streetwear eram difíceis de encontrar no Brasil. No começo eu não tinha exatamente uma paixão pelo vintage, mas com o tempo comecei a perceber que muitas das roupas que encontrava tinham relação direta com aquilo que eu via no skate. Foi aí que comecei a pesquisar as referências e entender de onde aquelas coisas vinham.
Percebi que grande parte do que eu admirava já tinha sido feito antes. E foi nessa virada que comecei a gostar realmente de vintage.
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Birden - Como vocês percebem o crescimento do vintage nos últimos anos? O que mudou na relação das pessoas com as roupas de segunda mão?
Matheus - Eu acho que tudo começou com a democratização desses meios e com as pessoas começando a olhar para a roupa de segunda mão de outra forma.
A pandemia foi muito importante nesse processo. A gente passou muito tempo na internet, compartilhando looks e vendo o que os outros estavam usando.
Ao mesmo tempo, as pessoas começaram a se vestir de forma muito parecida, e isso despertou um interesse maior por peças de segunda mão. O vintage sempre existiu, mas hoje é consumido em uma escala muito maior. Todo mundo sabe o que é, se inspira e gosta.
Vitor - Para mim, são quatro pontos principais: exclusividade, nostalgia, internet e influência cultural.
Eu acho que as pessoas estão cansadas de se vestir de uma forma tão padronizada. Uma das formas mais originais de se vestir é consumindo vintage. Existe uma busca pela exclusividade. Quando você encontra uma peça muito específica, sabe que dificilmente vai encontrar outra pessoa usando a mesma coisa. Acho que todo mundo quer ter alguma coisa que faça pensar: “Mano, acho que só eu tenho isso.”
E Eu acho que o uso por artistas e pessoas influentes ajudou a validar o vintage como algo legal. Lá fora isso já faz parte da cultura há muito tempo, enquanto aqui ainda existe algum preconceito com roupa de segunda mão.
Mas o vintage nunca foi novidade. Tem gente colecionando militaria, workwear e outras peças há décadas. Não é algo que surgiu agora. É algo que se popularizou. Eu acho que a pandemia e as redes sociais foram fundamentais para esse boom. A gente ficou muito tempo em casa consumindo conteúdo e descobrindo coisas que talvez antes não chegassem até a gente. Foi também uma virada de chave para o mercado. Começaram a aparecer mais pessoas falando sobre vintage, novas lojas e, principalmente, mais visibilidade.
Foi quando o vintage realmente ganhou força na internet. A internet ajudou a espalhar esse universo, e o uso por pessoas influentes ajudou a mudar a percepção sobre a roupa de segunda mão.
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Birden - O que vocês percebem na forma como as marcas contemporâneas se relacionam com o vintage e com referências do passado?
Matheus - Eu acho completamente normal as marcas se inspirarem em peças do passado. Isso acontece desde sempre. As peças que funcionaram continuam sendo reproduzidas, mas cada época acaba trazendo suas próprias características.
Vitor - A questão é como trazer essa referência para a linguagem da própria marca e para as necessidades do nosso tempo. Você pode partir de uma peça dos anos 40, mas precisa pensar no material, na construção e em como ela funciona hoje.
Eu acho que o problema é quando a marca simplesmente segue uma tendência sem conexão com o que já faz. A peça precisa fazer sentido dentro da identidade da marca, e não parecer algo colocado ali só porque está na moda. A questão é fazer isso de forma autêntica, com propósito e qualidade, criando peças que possam durar e se tornar referências para a próxima geração.
Eu acho que a qualidade é parte do que torna uma peça atemporal. Se as roupas dos anos 20 e 30 não fossem duráveis, elas não teriam chegado até nós. Então também precisamos pensar: o que estamos deixando como arquivo para a próxima geração
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Birden - Como vocês enxergam o papel das marcas hoje na criação de peças que possam atravessar o tempo, tanto em termos de qualidade quanto de desejo?
Matheus - Eu acho que grande parte das marcas está perdendo a mão na questão da durabilidade e não está pensando no dia de amanhã. Quando você compara uma TV ou uma câmera antiga, que continuam funcionando décadas depois, com produtos atuais, percebe uma lógica cada vez mais descartável.
A questão é: daqui a 20 ou 30 anos, quais roupas produzidas hoje vão estar nos brechós? Para isso acontecer, é preciso prestar atenção aos detalhes e criar peças feitas para durar, que possam ser usadas, reparadas e continuar fazendo sentido ao longo do tempo.
Acho que essa busca por qualidade também explica parte do boom do vintage. As pessoas começaram a perceber que muitas roupas antigas têm uma qualidade que nem sempre encontram nas marcas atuais. Isso ganhou ainda mais força junto às discussões sobre fast fashion e a percepção de que muita coisa produzida hoje é descartável
Vitor - Eu acho que existe um meio-termo entre fazer uma peça com qualidade e conseguir acompanhar a velocidade do mercado. Produzir com bons materiais é caro, especialmente no Brasil, mas ao mesmo tempo vejo crescer a procura por processos mais lentos, manuais e por peças feitas para durar.
Antigamente, a qualidade e a durabilidade eram parte importante da relação entre marca e consumidor. Algumas marcas até ofereciam reparos, porque entendiam que a peça deveria acompanhar a pessoa por muitos anos. Hoje, com tanta oferta e lançamentos constantes, essa relação mudou. Você compra uma peça e, no dia seguinte, já está pensando na próxima.
Acho que esse apreço pela roupa se perdeu um pouco, e é justamente algo que a gente cultiva no vintage. Quando você pega uma peça antiga, começa a perceber os detalhes: o material, o forro, a construção, os acabamentos. É uma roupa pensada por inteiro. Às vezes você pega uma peça dos anos 80 e está tudo perfeitamente construído, sem nada sobrando ou mal acabado. Para mim, esse cuidado é o que faz uma peça realmente especial e capaz de atravessar o tempo.
Matheus - Eu acho importante fazer peças atemporais, que cumpram uma função e não dependam de tendência. Você não precisa de quinze jaquetas azuis ou várias camisetas que fazem a mesma coisa. Uma peça boa, de qualidade, já pode cumprir esse papel por muitos anos.
Tudo que é novo também tem algum pé no passado. Então acho que as marcas poderiam focar menos em inventar a roda e lançar coleção atrás de coleção, e mais em interpretar o que já existe, trazendo isso para o presente com qualidade.
No fim, acho que qualidade, acabamento e controle de construção são o que vão determinar quais peças ainda estarão sendo usadas daqui a 30 ou 40 anos. E provavelmente serão poucas.
Vitor - Eu acho que ainda é possível encontrar peças de qualidade em marcas atuais e até em lojas de departamento. A questão também é ter conhecimento e saber reconhecer uma boa peça. Se as pessoas aumentassem esse critério, as marcas também precisariam aumentar o nível.
Acho que existe um papel importante de educar o consumidor. É o que a gente faz aqui: mostrar o material, a construção e explicar por que uma peça pode durar muitos anos. Quando você entende qualidade, começa a consumir de outra maneira.
Talvez faça mais sentido lançar menos e dar tempo para as pessoas realmente usarem e experimentarem uma peça. Às vezes vale mais comprar uma peça de R$ 300 que vai durar anos do que várias de R$ 150 que serão descartadas rapidamente.
No fim, acho que o desafio é encontrar um meio-termo entre a sustentabilidade financeira da marca e a criação de produtos que tenham qualidade, sejam valorizados e durem muito mais tempo.
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Confira a seleção de peças feita pelo Vitor e Matheus.
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Hiking Boot Low Redwood Leather
R$0,00R$1.109,005xR$221,80no PIX R$1.053,55Somente logadoem breveEsgotado -
Jaqueta Worker Dustlight Raw
R$0,00R$679,005xR$135,80no PIX R$645,05Somente logadoem breveEsgotado -
Calça Essential Stoned Beige
R$0,00R$509,005xR$101,80no PIX R$483,55Somente logadoem breveEsgotado
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